Uma bailarina feita de sonhos.
"Eu pinto estrelas e elas são exatamente como os seus olhos. Presas na imensitude do momento negro e das lástimas ocultas em cada minucioso detalhe seu. Houve dias em que fui eu, apenas eu. E hoje é apenas você."
Mas o que dói mesmo é esse finalzinho de dia. A hora que eu validava a minha existência com a sua atenção.

o mundo não é mais o mundo depois de você

o que você disse?

algo muito clichê, dessas coisas que a gente diz no calor do momento

mas esse calor não passa

você assopra em mim porque acha que não foi uma metáfora. e eu amo até o suspiro que sai de você. suas mãos desproporcionais que tanto querem se igualar as minhas, os arranhões que a gente dá na fúria de se conter. (meu deus, quando essa febre passar, quando essa ânsia de querer estar, de querer moer os segundos para apreciar um pouco mais diminuir, por favor, me ensina a ter paz, a não exigir, a não cobrar o que não posso ter) você que faz um nó em nossas pernas e um vulcão em meu coração. eu queria te dizer sobre as neuroses que agora dormem em silêncio só porque meus batimentos resolveram aliviar. só porque em cada principio de infarto você me socorre em um abraço e o eixo volta ao normal.

você que me rodopia no corredor do mercado. e eu me sinto como a bailarina e o soldado de chumbo. você que aproveita o farol fechar para afundar seus olhos em mim. ‘ficou verde’ e sorri. parece esmeralda, esverdeado, esperança, trevo de quatro folhas.

o mundo não parece o mundo depois de você.

Te amo como se amam certas coisas sombrias.
Tudo o que era mau atraía-me:
gostava de beber, era preguiçoso, não defendia nenhum deus, nenhuma, opinião política, nenhuma ideia, nenhum ideal. Eu estava instalado no vazio, na inexistência, e aceitava isso. Tudo isso fazia de mim uma pessoa desinteressante. Mas eu não queria ser interessante, era muito difícil.
Amor é tudo que nós dissemos que não era.
O amor cria mentirosos.
ela apenas olhou para mim
e eu acho que foi a sua
primeira compreensão da
tragédia de ficarmos
juntos.